COISAS QUE O AMOR NÃO RESOLVE

O amor pode suportar tudo, contudo isso não significa dizer que também irá tolerar. Há uma grande distância entre suportar e tolerar.

Explico: o amor é como nos comportamos em relação aos outros, e há atitudes que se não fosse o amor, resultaria em tapas, raquetadas e “rabo de arraia”. O amor demonstrado através do comportamento aprisiona os instintos primitivos fomentados pelo descontrole emocional, daí a racionalidade decide. Então, a pessoa suporta a afronta, ficando liberada para tomar a atitude mais apropriada.

Quando a Bíblia diz que o amor tudo sofre e tudo suporta, não está apregoando a covardia, a passividade, a omissão, tolerância ao agravo, a agressão psicológica, moral e muito menos física praticada por aquele que deveria respeitar e amar.

Quando alguém sofre, fica suscetível à dor, podendo suportá-la ou não. Contudo, essa pessoa não pode tolerar viver assim, e deve empreender todos os esforços na busca da solução para o terrível incômodo por uma questão de amor próprio, auto estima, e ouso dizer que é até de caráter, porque ninguém pode viver uma vida inteira sem que o sofrimento tenha um limite.

Em algum tempo é preciso dizer basta ao sofrimento.

Muitos lares vão por água abaixo porque um dos cônjuges acha que, pelo simples fato de estar casado com a pessoa que o ama, isso lhe confere o direito de se comportar de maneira reprovável. Esse comportamento pode ser até suportado por um tempo, mas não deve ser tolerado excessivamente, ou arrebentará a capacidade de suportá-lo.

É corriqueiro demais os cônjuges se comportarem de forma absolutamente inconveniente, e acharem que colherão serenidade, paz, harmonia relacional, sendo que só semeiam tempestade.

Ora, basta um olhar raso para a vida de alguns casais para percebermos que uma tempestade gigante está se aproximando e que o “frágil barquinho do amor” flutuará à mercê dos ventos contrários, por pouco tempo até que o naufrágio seja inevitável.

Há muita gente morta em relacionamentos mortos.

Aquele que se curva ao sofrimento, o suportando e o tolerando a vida inteira, consequentemente morre. O casamento de gente assim está morto, a autoestima e o amor próprio foram aniquilados. Defuntos e molambos fedidos protagonizam episódios de horror, dormindo juntos no mesmo sepulcro putrefato dos mortos vivos. São protagonistas de um enredo de terror, que tem como coadjuvantes os nichos que arquivam os momentos de torturas. Quadros pendurados na parede da memória que mantem acesas as lamparinas dos rancores, mágoas e ódios reprimidos.

Ninguém suporta ser massacrado a vida toda, isso agride o espírito de liberdade que rege o nosso senso de existência. Todo sofrimento precisa ter um limite.

Qualquer indivíduo que consente ser tratado com desprezo, despreza a si mesmo. A repressão do ódio constrói um “assassino” covarde que tem medo de se manifestar.

Considero que a prova mais cabal de desprezo praticado na vida cotidiana do casal, é a negligência com que se trata aquele que deve ter a primazia. Esse desleixo ou descuido, mesmo não intencional, faz brotar na alma a semente do “eis que tenho contra ti”.

Ninguém consegue construir uma história onde não há algum tipo de discordância, então, não tenha dúvidas de que o amor da sua vida tem muitas coisas contra você.

O amor encobre muitas mágoas, rancores, e “sapos” intragáveis. Não se iluda: quem ama e respeita também tem ressentimentos. São sentimentos que podem ser terrivelmente danosos à sobrevivência do casamento e ficam rondando e remoendo a alma até conseguirem efetivar uma úlcera, ou seja, vez por outra vai doer, até que seja tratado.

O tempo não é um agente curador para todas as enfermidades da alma.

O amor tem o poder de conter a fúria das discórdias, mas somente o diálogo e a mudança de comportamento podem destruí-las em definitivo. O remédio será sempre jogar pra fora aquilo que o “estômago” da alma não digere.

O poder do amor não sobrevive à renúncia do diálogo e a abstenção da firme e deliberada disposição de satisfazer o outro. O cônjuge que não trabalha em função de saciar o outro é aliado do espírito da “sanguessuga”: um agente eficaz do egoísmo e da usurpação. Aquele que não sacia as necessidades do sócio matrimonial, lesa os direitos cabais que devem ser inegociáveis, e se torna um genuíno ladrão de direitos adquiridos.

Deve ser horrível descobrir, depois de muitos anos, que você sempre esteve casado com um espírito de “sanguessuga”. A “sanguessuga” e suas filhas “Dá e Dá”, nunca se fartam; recebem muito do parceiro(a) nas diversas facetas do casamento e em contrapartida se doam com restrita contenção e economia.

Analise bem antes de fazer um pacto perpétuo, um contrato permanente com alguém ao colocar no dedo uma aliança, porque você pode estar se associando a um espírito de “sanguessuga” e se tornando refém de um demônio esfomeado e indiferente.

Um casal virtuoso concilia a fúria do rancor com a sabedoria do amor, e trabalham juntos para eliminar os arranhões das insatisfações que urram furiosas liberando o brado do “vai embora”; enquanto que a força do amor sussurra calmamente um sábio conselho: fica comigo.

Fique e aprenda que fugir não resolve. A solução está numa conversa madura e íntegra e na disposição consciente de mudar para ser indivíduos melhores e responsáveis, capazes de externar e oferecer o que possuem de melhor. Tenha autoridade suficiente para exterminar as arrogâncias do indigesto e do egoísta “eu”, quebrantando-se para vivificar e construir ao longo da vida o virtuoso “nós”.

Por favor, não finja e não fuja! Enfrente a soberba do “eu” interior, humanize-se valorizando e externando as riquezas escondidas dentro de você.

Qualquer um que decida se insurgir contra o que vive de pior, quebra todos os limites e derruba todas as barreiras; destrói os muros de contenção que o impedem de se lançar nos braços de um relacionamento intenso, verdadeiro e feliz.

É isso: seja genuíno e intenso, olhe a vida de frente e ouse vivê-la integralmente, sem intenções de conter o avassalador poder de ser VIDA na vida de alguém. Descubra que o amor é a virtude mais poderosa que trabalha para nos fazer felizes.

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3 thoughts on “COISAS QUE O AMOR NÃO RESOLVE

  1. Pastor!
    O texto é produtivo e muito edificador e não só explica mais correlacionam alguns fatores. Eu sou Jesiel, tenho 18 anos, Sou evangélico e pretendo casar-me. Ultimamente tenho visto grandes fracassos de casamentos__ Tantos Cristão. Quanto__ Mundano. Para às vezes e fico a pensar. A bíblia estabelece uma serie de quesitos ao qual o Cristão deve se submeter para casa-se e manter uma vida ajustável, feliz e com Deus em nossa frente. Mais nos últimos tempos percebo que dentro do meio evangélico os casamentos estão chegando ao fim com muita prematuridade ocasionando morte espiritual e sequelas emocionais irreversíveis que as pessoas carregam e dependem unicamente de Deus para voltar ao matrimonio. Tratando-se do amor, jugo a calhar tais perguntas.

    Pergunto ao queridíssimo Pastor. O que mudou nos últimos tempos? Quais os fatores que acarretam tantos fracassos? Como manter uma relação? E qual o momento para casar-se e não fracassar tanto diante de Deus quanto no enlace?

  2. Esse é artigo é uma fortíssima verdade meu pastor,e quero aprender com esses ensinamentos. “…poder de ser VIDA na vida de alguém” isso é maravilhoso.
    Que Deus abençoe a sua vida meu pastor e toda a sua família. Seus ricos exemplos sempre enriquecem nossas vidas.

  3. Excelente post!!! Muito edificante.Muitos tem escondido dentro de si mágoas não desfeitas que com o tempo chegam a ruir um casamento! Parabéns!

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