MÁQUINA DE CARNE E OSSO

Estamos correndo um grande perigo de perdermos a essência da nossa humanidade na qual reside o princípio da vida em sociedade, a razão de existirmos.

A busca incansável e até insana pela conquista das coisas, nos faz abandonar a nossa real essência, que é a de construirmos uma ponte de comunicação e desenvolvermos os vínculos de confiança, edificando laços relacionais de afetos consistentes.

Na sociedade pós-modernidade em que vivemos, aprendemos a “coisificar” tudo, inclusive aqueles que deveríamos amar acima de tudo.

Nos filmes futurísticos, vemos o perigo dos sistemas e da robótica que manietam os sentimentos, restringindo a vida em sociedade a mera metódica, onde homens viram “máquinas”.

O processo está desencadeado, não só pelo desenvolvimento sofisticado de cérebros artificiais, mas pela robotização do cérebro humano: sem emoções, sentimentos e envolvimentos com outros da sua espécie.

As pessoas se relacionam mais com os equipamentos de alta tecnologia do que com outros indivíduos e até os relacionamentos humanos se dão através dos equipamentos. Não é coisa rara o casal ir pra cama com o iphone, ipad, controle remoto da tv, o notebook e outras parafernálias, que sem perceber, se tornam os amantes que furtam dos parceiros aquilo que por direito deveriam receber.

Amantes disfarçados de tecnologia formam um triângulo amoroso, amaldiçoando o casamento que deveria ser a dois.

O amor e suas variadas faces passam a transitar palas conexões da internet, arruinando a linha direta do olho no olho, do toque carinhoso e da sensibilidade de interagir com a energia da presença corpórea e visível daqueles com os quais deveríamos andar próximos.

A tecnologia fez de nós máquinas humanas, incapazes de sentir, envolver e de continuarmos sendo simplesmente humanos.

Sem que percebêssemos, nos tornamos escravos das máquinas. A alta tecnologia veio para nos servir, contudo, embevecidos pela sua aura mágica, nos submetemos ao jugo da sua servidão.

Há sempre uma esperança de mantermos, fora de nós, os sistemas que foram criados para nos servir e não nos escravizar, pois a perversidade não está na sistematização, mas na nossa incapacidade de percepção que não sinaliza o perigo do enraizamento lento e sucessivo dos tentáculos da tecnologia, que nos domina e neutraliza, sem que nos demos conta de que estamos perdendo a nossa humanidade.

Muito em breve seremos robôs de carne e osso.

Não creio numa rebelião das máquinas, mas na cessão de domínio e na fragilidade humana, que abre mão da sua autoridade e disciplina para a força da tecnologia, devido ao mal uso e a sede tentadora de deixar-se inebriar por aquilo que deveria dominar.

Sempre que abrimos mão de dominar, concordamos em sermos dominados.

Nós temos à nossa disposição uma ferramenta poderosa para lutarmos contra o engessamento tecnológico e à paralisia dos relacionamentos indispensáveis, saudáveis e duradouros, confrontando aquilo que facilita a vida e nos dá prazer, com aquilo que sabemos ser a nossa maior, indispensável e inegociável prioridade.

Parece, a princípio, um tanto ilógico questionarmos e confrontarmos o nosso padrão  comportamental e os hábitos doentios e paranóicos que adotamos no uso da tecnologia. Fato é que esses novos hábitos passaram a regular o nosso dia-a-dia, comprometendo a nossa convivência como seres sociáveis.

Questionar os hábitos que desenvolvemos é compreender que adoecemos de um “câncer tecnológico” que nos consome gradativamente. Ele nos isola numa redoma de alienação que desconstrói a nossa estrutura de seres vivos, indivíduos criativos, indivisíveis, insubstituíveis e seres pensantes com poder de escolha e decisão, e nos transforma em marionetes de equipamentos que ditam regras e comportamentos.

O autoquestionamento e a imposição de novos padrões comportamentais nos ajudarão a recuperar a nossa humanidade, que passa obrigatoriamente pelo poder de dominar as máquinas. Assim, desenvolveremos uma nova compreensão dos valores humanos, da importância de defendermos e valorizarmos a nossa humanidade e a colocarmos acima de qualquer sistema.

Seria como reassumirmos o controle sobre as parafernálias tecnológicas e os complexos sistemas. Uma espécie de rebelião humana contra o poderio da tecnologia e suas máquinas dominadoras.

Uma rebelião, não para destruir sistemas e equipamentos, pois não vivemos sem eles, mas para colocá-los subservientes à nossa vontade, imputando-os um valor secundário agregado às nossas necessidades, sendo instrumentos dispensáveis nos momentos em que o exercício da nossa humanidade estiver em funcionamento.

Devemos deixar bem claro que o seres vivos, indivíduos semelhantes a nós, são mais importantes que os instrumentos tecnológicos, máquinas magníficas que não podem jamais substituir aqueles com os quais devemos nos relacionar, respeitar, conviver e amar, afinal, para isso eles foram inventados, para serem sempre os nossos empregados.

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2 thoughts on “MÁQUINA DE CARNE E OSSO

  1. Bom dia Pr Josué, a Paz de cristo JESUS Li a matéria que fala do ser humano máquina de carne e osso realmente estamos vivendo Matheus 24: 12 que diz ” Por se multiplicar a iniquidade o amor de muitos se esfriariam” é o que está acontecendo sobre a humanidade e a familia de Deus na terra ,se o amor se esfria há endurecimento de coração por sua vez o coração endurecido gera a insensibilidade a voz do espirito santo e a consequência deste processo é o afastamento parcial ou absoluto das verdades biblicas e dos principios morais. DEUS tenha misericórdia de nós.
    ANDERSON.

  2. Parabéns,pastor Josué!Esse texto só vem confirmar, o quanto as relações humanas estão fragilizadas.Realmente,nesse emaranhado de tecnologias e competitividade desenfreada,subliminarmente, as “máquinas”infiltram-se na convivência humana.e mais que tudo, deixamos “ELA” priorizar nossas emoções.Não sei se consciente ou inconscientemente,esquecemos de nossos cinco sentidos.os quais afloram nossos sentimentos mais íntimos … pele,cheiro,gosto…enfim,o que nos leva à sensações de prazer em sua plenitude.

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