FESTA DE DESCASAMENTO

É isso mesmo, festa de descasamento!

Reúnem parentes e amigos. Servem coquetéis, salgadinhos, docinhos e até cortam o bolo. Penduram enfeites sugestivos. Ex-esposas exibem orgulhosas, como se fossem troféus, cabeças de bonecos numa bandeja representando os seus ex-maridos. Estouro de champanhe, brindes, e por aí vai. Uma festa organizada para celebrar a desorganização de uma família. O falecimento de uma relação. Uma “festa” que assusta, afronta, agride, avilta o bom senso daqueles que, de boa mente, acreditam que o ser humano não perdeu a sua sensatez.

Algumas pessoas decidiram esconder o seu fracasso sob o manto da hipocrisia. O que deveria ser luto e tristeza é maquiado para parecer uma “festa”. Imaginem todos os sonhos da construção de um relacionamento consistente, amoroso, duradouro e recompensador, juntos aos projetos elaborados em parceria e cumplicidade; culminados com a singeleza dos votos feitos no altar, presenciados pelas famílias, parentes e amigos, celebrados por uma autoridade espiritual, embelezados por um ambiente nobremente mágico e encantador, e por algum motivo que nem sempre se torna evidente, reduz toda essa maravilhosa e engenhosa complexidade a frangalhos de um fracasso, e, o rompimento desses fortes vínculos afetivos não gera luto, mas, celebração como se fosse uma grandiosa conquista e não uma terrível perda. Paradoxo ou perturbação mental?

E num certo ponto desse mundo, que não é mais o de faz de conta, mas real, essa áurea de expectativa embriagante desmorona e deveria causar num indivíduo responsável a dor do rompimento relacional, dos sonhos interrompidos, da frustração pela morte das realizações e o abrupto impacto do ‘cortar ao meio uma só carne’, para novamente tentar salvá-la, restaurá-la, para fazê-la outra vez duas partes inteiras.

O rompimento de uma relação conjugal atinge violentamente não apenas o casal, mas, suas famílias e os seus amigos. Quanto sentimento envolve tudo isso? Muitos vínculos foram construídos, tornando-se laços invisíveis, que uniram uma pessoa a outra, e a outras, num verdadeiro emaranhado de laços afetivos; gerando preocupação, envolvimento em sonhos e projetos, ampliando a área do dar-se a conhecer, propiciando bem estar com o compartilhamento, construindo bases amorosas que não foram feitas para romperem-se.

Apenas isso, ou isso tudo, seria o suficiente para qualquer um ter um tempo de reflexão, um tempo de luto, um tempo de introspecção. Um tempo de lágrimas. Reações normais de quem leva a vida a sério.

Quando tentam ridicularizar a indescritível instituição da união conjugal, sequer conseguem imputar nela uma pequena cicatriz, mas debocham puramente dos seus próprios fracassos. Lógico, quem não conseguiu obter sucesso na relação conjugal, quem não conseguiu manter vivo o amor da sua vida, quem não conseguiu sustentar uma relação permanente, fracassou. O fracasso não é para ser celebrado.

Por que é um fracasso? A resposta é tão simples: ninguém casa para se separar.

Ninguém une a sua vida a outra para dar errado. As pessoas se unem porque acreditam que vai dar certo. Casamento não tem prazo de validade. Todos se casam para viverem juntos para sempre, e quem diz ao contrário, antes de tentar obter sucesso, já se prepara para o fracasso. O fracassado já prediz que o que ele fará resultará na sua derrota.

Ao realizar uma “festa de descasamento”, o indivíduo tenta negar o óbvio. Torna pública a sua hipocrisia e o seu deboche. Faz notória a sua incapacidade de relacionar-se. Festejar um fracasso é beirar a loucura. Contudo, será que a “festa” continua quando a sua cabeça repousa solitária no travesseiro? Nem o louco sorri da sua dor.

O “espírito de zombeteiro” quando tenta zombar e debochar da sagrada união conjugal expõe ao ridículo aquele que sorri da sua derrota e brinca com o seu fracasso. Coloca na vitrine do desrespeito o pobre coitado que sorri da sua perda, quando seria honrado se chorasse com a sua dor, revelando a sua sensibilidade humana.

A hipocrisia do sorriso e dos brindes assusta a família e os amigos coerentes, e deveria causar um aterrador impacto se restasse no “celebrante” um resquício de uma mente sadia. No entanto, se não é assim, apaguem as luzes, acendam as velas, cantem os parabéns e celebrem a morte da sua consciência e o sepultamento dos restos mortais dos sentimentos que antes o distinguia de animais irracionais.

Reconhecer o fracasso e viver um tempo de luto é essencial para quem deseja prosseguir acreditando na vida e nas suas realizações. O luto é parte do rompimento de um laço. O choro é um ritual de despedida. Despedir-se adequadamente do passado é preparar-se para reorganizar-se para novos empreendimentos num futuro próximo e sem traumas. Vivenciar uma perda é fundamental para quem deseja ganhar o jogo da vida.

Se você ainda pode chorar as suas perdas, parabéns, você revela que ainda é gente.

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu: Tempo de chorar, e tempo de rir: tempo de prantear, e tempo de saltar.”
Eclesiastes 3: 1,4.

 

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One thought on “FESTA DE DESCASAMENTO

  1. Olá,

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