O LIXO ENCOBERTO PELA FALSA IMAGEM


Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e, vindo procurar fruto nela, não achou. Pelo que disse ao viticultor: Há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não acho; podes cortá-la; para que está ela ainda ocupando inutilmente a terra? Ele, porém, respondeu: Senhor, deixa-a ainda este ano, até que eu escave ao redor dela e lhe ponha estrume. Se vier a dar fruto, bem está; se não, mandarás cortá-la”.

 Lucas 13:6-9 – RA.

É isso o que muitas vezes nos questionamos: por que muita gente boa fica com a vida entravada por causa de algumas ações e reações incontroladas? Por que destroem a boa imagem que construíram e servem de escândalo para aqueles que os respeitavam e os tinham em grande estima e admiração?

Há uma frase que eu gosto muito, pois aprendi muito com ela: “Aquilo que está em oculto, se não for sarado, mais cedo ou mais tarde será revelado, então, causará escândalo”.

O escândalo não é apenas sofrido pelas pessoas que estão à volta, mas da própria pessoa quando se depara com as suas mediocridades e mazelas: um quadro de horror, feridas, chagas, moléstias, mau cheiro proveniente do banheiro da sua alma, que pode deixar qualquer um estarrecido e fazer com que empreenda fuga. Mas como fugir de si mesmo, quando a realidade do próprio eu é pintada em cores vivas e reais?

Há pessoas que estão em eterna fuga, pois sufocam dentro de si as suas verdadeiras identidades, criando uma personagem fictícia – através do marketing pessoal – que existe apenas na sua boa intenção de ser alguém com determinadas características e atitudes.

Da mesma forma hábil com que se iludem, iludem as demais pessoas. Isso perdura um determinado tempo, pois elas não sobrevivem a longos períodos num mesmo ambiente social, porque as circunstâncias da vida serão o combustível que farão eclodir o segredo da identidade do anti-herói. Essa é a razão dos mais variados escândalos.

Com certeza você deve conhecer muitas histórias lamentáveis e tristes, porém não se resolvem os problemas ocultando-os, mas, encarando-os, e a proposta de Deus é escavar a alma, para encontrar os lixos encobertos pela falsa imagem criada pelo indivíduo. Depois de encontrados, esses lixos devem ser arrancados e exterminados pelo poder curativo de Cristo. Então a alma será adubada pela ação do Espírito Santo, para produzir atitudes provenientes de um coração curado.

Todas as atitudes são frutos da árvore da nossa alma: se a árvore é boa os frutos serão bons, se a árvore está doente os frutos serão doentes. Todas as enfermidades da alma estão manifestadas nas atitudes. Portanto, se as atitudes são doentias, o problema está na alma e não nas atitudes. Portanto, acenda o seu alerta para o que lhe direi: Essa história de dizer que uma pessoa é uma bênção, mas tem uns “probleminhas” que causam escândalos, é uma furada. Ele não é bênção coisa nenhuma!

Jesus não disse que conheceríamos as pessoas pelas suas boas intenções, ou pelas exibições dos seus dons, ou pelas manifestações das suas espiritualidades e muito menos pelos seus discursos esbraseados como se fossem “poder de Deus”, mas as conheceríamos unicamente pelos seus frutos. As atitudes determinam o que cada pessoa é.

Jesus deseja colocar diante dele as nossas iniqüidades e sob a luz do seu rosto, todos os pecados ocultos. Quer trazê-los à tona após escavá-los, não para escandalizar ou ridicularizar, mas para tratar e adubar o velho e cansado terreno e plantar novas semeaduras, ou seja, curar definitivamente, sem usar paliativos para que o estéril se torne fértil.

A área falha da alma humana gera incessantemente frutos que causam escândalo. Esses frutos são os materiais com os quais as pessoas “descem o barraco”, como diz o carioca. O pior é que elas gostam da baixaria. È na baixaria que se realizam e nos escândalos que curtem os seus minutos de fama. É o porco que chafurda na lama sem constrangimento, pois esse é o seu cerimonial mais requintado. É a mulher que por alguns minutos “roda a baiana” (é uma expressão que usamos quando pessoas polidas perdem a compostura) e o homem que esganiça anunciando aos desafiantes do que são capazes. Essas pessoas satisfeitas com os seus vômitos putrefatos, ainda comentam orgulhosos dos seus feitos:

Viu só o que eu fiz? É meu chapa, comigo é assim!

Se os homens investissem um terço do tempo, que destinam a investigar a vida alheia, cada um teria conhecimento de si mesmo, então, as suas almas dariam frutos dignos, nesse caso, poderiam abençoar a vida do próximo.

Creio que o desejo mais ávido de todos nós, não deve ser apenas a busca do conhecimento, mas sim, do auto-conhecimento, pois os milênios não foram suficientemente eficazes para fazer com que o homem conhecesse a si mesmo, e a cada segundo, novos monstros são gerados, com um potencial inimaginável e incontrolável de destruição dos outros e de si próprio. A lei da evolução das espécies não funciona com a raça humana, pois cada dia o homem torna-se pior, e a razão é simples: está no distanciamento proposital da criatura do seu criador.

Quando no jardim do Éden o homem incorporou o conhecimento do bem e do mal, o mal começou a existir de fato, pois até então ele era apenas uma figura, pois tanto o bem como o mal, para existirem no âmbito físico necessitam se incorporar. Eles somente se materializam pelas atitudes humanas. A semente do mal não estava mais no fruto de uma árvore, fora do corpo e ao alcance da mão do homem, ela agora estava dentro do corpo, plantada na alma, onde a mão do homem não podia mais alcançá-la. O homem comeu do fruto proibido, o seu organismo o digeriu e expeliu o seu excremento, mas a semente desse fruto comido, permaneceu no interior da coroa da criação de Deus, caiu num solo limpo, puro, fertilizado pelo criador, adubado pela comunhão com o divino para ser um ambiente exclusivo no qual o bem germinaria e daria abundantes frutos. O solo bendito se tornou maligno, a estufa divina abrigou o embrião da maldade, serviu de útero para o demoníaco, e a semente do malfeitor germinou e frutificou de imediato, quebrando todas as medidas de tempo, transformando o precioso em vil, o sagrado em profano, o trigo em joio, o divino em demoníaco, o bom cheiro da vida em fedor de morte e a comunhão em impossibilidade de convivência.

O homem agora não tinha apenas um corpo para viver, a sua alma parideira do monstro da malignidade o faria andar na carne. Ao homem sempre coube a responsabilidade de suas escolhas. Os dias de vitórias ou derrotas correspondem a cada dia de escolhas certas ou erradas.

O cerne da questão não está no que resolvemos crer, mas no resultado prático dessa credulidade. O cristianismo sem mudanças de atitudes, que são produzidas pelas novas fontes que fluem de uma alma sarada, não é nada. Novas atitudes são demandas de mudanças interiores e são novos paradigmas divinos nascidos pelo poder da ação do Espírito Santo.

As atitudes mudam quando a semente maligna é extirpada da alma, pois o poder da escolha é favorecido pela ação de Deus operada em nós. Caso a semente maligna não seja arrancada, as pessoas continuarão carregadas de toda sorte de iniqüidade, nunca se voltarão para Deus e blasfemarão contra Ele.

A solução para a cura da alma não depende de uma posologia padronizada. Cada pessoa precisa desejar submeter-se a um tratamento espiritual que não pode ser superficial. O poder curador de Cristo é um processo no qual nos submetemos ao longo da nossa vida. Não é tirar um modelo de roupa e colocar outro, não é tirar a sujeira externa e aromatizar o corpo, não é cortar a barba e sentir-se santificado, não é queimar as revistas eróticas e colocar o livro sagrado debaixo do braço.

O Evangelho de Jesus Cristo não é um chamado para homem algum ser crente, porque até os demônios crêem, mas é a entrega voluntária de si mesmo ao processo do novo nascimento, que implica numa restauração absoluta de todos os princípios e valores que formaram e governam o ser humano. A isto podemos nominar de recriação.

É impossível adotarmos esses princípios sem que haja a possibilidade de um tratamento espiritual profundo e não meramente superficial, pois a natureza humana é muito complexa, e quanto mais o indivíduo se torna amadurecido pelo passar do tempo, mais estabelecido nos fundamentos das suas crenças ele permanece, mesmo que essas primeiras crenças sejam equivocadas.

Escavar a alma com certeza dói. Expor a área falha, deixando a mostra os amontoados de distorções pelo ato de confessar, declarar a culpa ou o objeto do erro, certamente produzirá um desconforto, que é necessário. Mas é em virtude dessa exposição deliberada que o adubo santo agirá eficazmente na raiz da alma humana, para produzir atitudes pertinentes a uma alma radicalmente curada.

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